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O mundo é redondo, mas há idiotas por todos os cantos

Exercitar a nossa capacidade de abstrair e fingir demência nos distanciará de embates infrutíferos com quem nunca será capaz de ouvir ninguém. Ou isso, ou esgotamos todas as nossas forças, que devem ser usadas junto a quem nos ama, gente sincera, verdadeira e agradável.

Ultimamente, existem variadas formas de interações entre as pessoas, haja vista as redes sociais virtuais, pelas quais são expressas opiniões sobre os mais variados assuntos de forma explícita. Além dos amigos, colegas e conhecidos da vida, agregamos ao nosso círculo de relacionamentos os amigos virtuais, sendo que muitos deles, inclusive, nem conhecemos pessoalmente. E, assim, além de pessoas desagradáveis no dia-a-dia, também as encontramos pela internet.

É incrível, mas certos indivíduos conseguem aborrecer os outros onde e de onde quer que estejam, como se o prazer deles fosse contrariar, discordar, incomodar. Muitas vezes, opinam sem ser convidados, seja na roda de amigos, seja nas postagens virtuais. Possuem um dom interminável para falar asneiras, para tirar sarro de uma forma deseducada, para dar o contra e tomar posições polêmicas.

São os “problematizadores chiques”, que veem em tudo algo com o que gerar algum tipo de polêmica, enxergando conspirações e maquinações em situações das mais banais e triviais possíveis. Muitos deles perdem a compostura, esquecendo-se de mínimas regras de convivência, falando o que não deveriam para quem não merece, desmerecendo grupos sociais, conquistas de direitos, lutas políticas. Parece que não refletem sobre o que dizem, de tão absurdas que são muitas de suas colocações.

Pessoas desagradáveis, que incomodam e ferem com palavras e atitudes, estão por aí, aos montes, azucrinando até aqueles que nem conhecem direito. Porque tem gente que deve se sentir tão mal, tão pequena e desprezível, que passa a tentar diminuir os outros, na tentativa de se sentir menos pior. Gente amarga, infeliz, que não sabe admirar, só sabe invejar. Por isso é que não saem do lugar e, pior, não aceitam que ninguém saia também.

Por mais que pareça impossível, o que nos resguardará de gastarmos energia com quem não merece sempre será ignorar, fazer-se de desentendido, de surdo mesmo, quando nos depararmos com essas pessoas. Exercitar a nossa capacidade de abstrair e fingir demência nos distanciará de embates infrutíferos com quem nunca será capaz de ouvir ninguém. Ou isso, ou esgotamos todas as nossas forças, que devem ser usadas junto a quem nos ama, gente sincera, verdadeira e agradável. É assim que a gente sobrevive e vive melhor.

Texto de Marcel Camargo

Imagem de capa: ArtFamily/shutterstock

Posso não saber direito o que é o amor, mas sei bem o que o amor não é !

Amor não é excesso de lágrimas, de dor, de tristeza. Amor não é desconfiança, nem hesitação. Amor não é humilhação, carência. Não é mendicância.

Dizem que muitas pessoas talvez ainda não tenham amado ou sido amadas de verdade. Talvez essa dificuldade de muitos tenha relação com o fato de que amor é sentimento, é lá de dentro de cada um, ou seja, as pessoas conseguem senti-lo, mas têm dificuldade em descrevê-lo. Não faz mal, pois, tão importante quanto reconhecer o amor, é ter a certeza de tudo o que o amor não é.

Amor não é excesso de lágrimas, de dor, de tristeza. Nada do que carregue negatividade pode ser associado ao amor, pois ele cura, alegra, traz contentamento e redenção. Caso o relacionamento esteja envolto em escuridão demasiada, estaremos mergulhados em nada mais, nada menos, do que desamor.

Amor não é lamento, queixa sem fim. A gente só reclama do que não está fazendo bem, do que incomoda, do que precisa ser mudado. O amor se afina com o que é harmônico, com o que traz calma, com o que abranda os pesos da vida. Caso estejamos envoltos por uma relação incômoda, que precise de ajustes e reajustes, que nunca parece tranquila, ali não se encontra o amor.

Amor não é desconfiança, nem hesitação. Ninguém é capaz de viver muito tempo tendo que questionar os passos do outro, que seguir, fuçar, ficando à espreita o tempo todo. Não dá para sobreviver desconfiando de tudo e de todos, pedindo explicações, provas, testemunhas. Se as dúvidas acompanharem os nossos dias, estaremos vivenciando tudo, menos o amor.

Amor não é posse, dominação, nem ditadura. Ninguém é dono de ninguém, pois quem fica é porque quer, precisa, sente-se bem e acolhido com sinceridade. Afeto não combina com mandos e desmandos, com temor, com nó – Quintana já dizia que amor é laço. Se tiver que forçar, então não há conforto e, sem conforto, nem existe amor.

Amor não é humilhação, carência. Não é mendicância. Ninguém merece ficar implorando por atenção, porque ninguém há de merecer viver de esmolas afetivas, de metades, de incompletudes. Sentimentos têm que vir com intensidade, com clareza, com tudo, num movimento de ida e de volta. Unilateralidade tem a ver com solidão, pois relacionamentos requerem sempre dois, não menos do que isso.

Infelizmente, é comum as pessoas se enganarem com o que seja amor, porque muitos de nós possuímos uma falsa ideia do tanto que temos a oferecer e do tanto que merecemos. Reconhecer o que é desamor, enfim, é essencial, para que não aceitemos encostos e sugadores junto de nós. É assim que nosso inteiro um dia se preencherá com verdade, com a serenidade que todos merecemos viver.

Texto de Marcel Camargo

Imagem de capa: wrangler/shutterstock

Maturidade é usar o silêncio quando o outro espera que tu grites

Somos testados a toda a hora por pessoas mal intencionadas, seja em relacionamentos, no serviço, em casa, na escola, seja na vida. Muitas pessoas criam tempestades nas suas vidas e, em vez de tentarem sair delas, procuram arrastar e trazer para debaixo dos seus raios e trovões quem estiver por perto. Não se percebem a si próprios, jamais se responsabilizam pelo que eles próprios provocaram, culpando o mundo, vitimizando-se e espalhando discórdia por onde estiverem.

Enquanto vivermos, estaremos sujeitos a sermos contrariados por pessoas, por acontecimentos, por imprevistos, pela vida. É assim e sempre será, desde que nascemos, até nosso último suspiro. Veremos várias pessoas nos encontrando e nos desencontrando em ambientes variados, cada uma com os seus pensamentos, objetivos e visões sobre o mundo. É inevitável, portanto, trombarmos com quem em nada concordará conosco, ou até mesmo com quem adore azucrinar a paciência alheia.

Infelizmente, existe muita gente que adora cuidar da vida do outro. Seremos questionados sobre o porquê de não namorarmos, de ainda não termos nos casado, de não termos filhos ou de termos determinada quantidade dos mesmos, sobre o porquê do porquê do porquê, e, pior, por pessoas que mal nos conhecem. Ou seja, muitos nem interesse sincero terão pelas nossas vidas, estarão apenas curiosos mesmo.

Da mesma forma, muitas pessoas farão observações desagradáveis e incômodas sobre nós, deixando-nos desconfortáveis. Haverá quem dirá que engordamos, que envelhecemos; haverá quem nos censurará e nos julgará pelo modo de vida que escolhermos; haverá quem nos repreenderá por alguma atitude que tomarmos. E, incrivelmente, isso acontece mesmo que o nosso comportamento não lhes afete de maneira alguma.

Cabe a nós manter o controle, o equilíbrio, para que não nos deixemos arrastar pela maldade nem pelas atitudes doentias do outro, para que não nos molhemos sob tempestades que não são nossas. Em certos momentos teremos que tentar ajudar quem estiver pronto a ouvir, porém, o silêncio será sempre a melhor resposta para quem espera e aguarda para nos ver cair, pois assim é que neutralizamos todo o mal que nos rodeia. Isso é maturidade e autopreservação. É capacidade de sobrevivência.

Texto de Marcel Camargo

Imagem de capa: Fabiana Ponzi/shutterstock