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Aprenda a se colocar no lugar do outro, e tente ser boa pessoa, sempre que puder

Até pouco tempo eu concordava cem por cento com a citação ‘Sou responsável, pelo que digo e não pelo que você entende’.

Refleti muito sobre toda a verdade que essa simples sentença carrega.

E cheguei à conclusão de que, ela a frase, é egoísta e cruel.

Nós, ou muitos de nós, gostamos de não nos responsabilizar por quase nada.

Porque o sentimento de culpa pesa, sufoca, e acharmos que somos ou fomos culpados por alguma coisa, é assustador.

Com frequência ouvimos frases como, ‘a culpa é sua, você quis assim, eu não fiz nada para você’.

Eu acredito firmemente, que não existem culpas, existem consequências, então, para tudo o que você fizer ou disser, existe uma consequência. É aí que entra nossa responsabilidade. Sim eu disse nossa, minha, sua, todos nós deveríamos nos preocupar com o que acontece a nossa volta, deveríamos sim prestar atenção ao que acontece com as pessoas, porque um sorriso, um abraço, um simples conta comigo, pode mudar uma história. Acha que é exagero? Então pare para pensar com cuidado, e talvez você encontre algum momento em sua vida, no qual alguém salvou o seu dia com um gesto simples, uma palavra que conforta ou um simples ombro amigo.

Se alguém salva um dia, ele(a) pode estar salvando uma vida, porque vidas podem começar e terminar em apenas alguns minutos, quem sabe até segundos.

A falta de empatia tem deixado o mundo mais frio e triste. Quando nos deparamos com pessoas que moram na rua, com aqueles, que por um motivo ou outro estão ou são menos favorecidos, sentimos pena sim, mas pensamos primeiro que é um problema social, que a culpa é do governo, lamentamos, mas não fazemos nada, certo?

Você deve estar se perguntando, e porque deveríamos fazer alguma coisa se a culpa não é nossa? Mas a verdadeira pergunta é, porque não fazer qualquer coisa que seja para ajudar, mudar ou melhorar a situação de alguém, nem que seja por alguns minutos ? Sem mais rodeios, onde eu quero chegar é, cada pessoa que você encontra, está lutando batalhas que talvez ninguém saiba, então seja mais gentil, pense antes de falar, e não se preocupe só com você, não faça o mundo girar somente ao seu redor, seja humano e se sinta sim responsável pelo que diz, porque você tem o poder de salvar o dia de alguém, ou de acabar com ele.

A maioria das pessoas é emocionalmente fraca, carente e isso não as torna inferiores, são apenas humanos imperfeitos, como eu e você, e ajudaria muito se cada um de nós fizesse a nossa parte.

Já ouvi pessoas dizendo que não podem ajudar aos outros porque mal conseguem ajudar a si próprios, e isso eu chamo de egoísmo, de olhar somente para o próprio umbigo, porque viver só para si é se entregar a uma existência miserável e sem sentido, sem propósito.

Se puder ajudar com dinheiro, ajude, se puder ajudar somente com palavras de motivação, assim o faça, se achar que não tem nada a oferecer, então pelo menos, se responsabilize sim, por tudo o que diz e tudo o que faz, porque isso com certeza pode e vai influenciar ou mudar o dia, quem sabe a vida de alguém.

Se estiver irritado, respire fundo e lembre-se ninguém precisa pagar o preço da raiva ou frustração que você sente, mas quem sabe a tranquilidade ou conforto que você precisa, virá de um gesto, quem sabe até de um estranho. Afinal, estamos nessa caminhada juntos, todas as pessoas que encontramos na rua, no parque, no supermercado, todos eles respiram o mesmo ar, todos têm um coração batendo forte no peito e sangue correndo nas veias, todos nós somos iguais, independente da posição social, cor da pele, nacionalidade, sexo, ou qualquer outra mera particularidade.

Nada disso faz diferença quando o coração para de bater, até porque quase todos os caixões tem tamanhos iguais, queimados ou enterrados, a única que sobra é nossa alma, nossa essência e nosso espírito.

O ser humano não sobrevive sozinho, todos nós necessitamos das interações sociais, todos nós sem exceção, precisamos um dos outros, então aprenda a se colocar no lugar do outro, e tente ser amor, sempre que puder.
O Universo te devolverá em dobro, quando você mais precisar. Vidas serão melhores e quem sabe o mundo se torne um lugar mais feliz.

Tudo é transitório, o que era ontem, pode não ser hoje.

Nada é fixo nem permanente… As coisas que nós adquirimos e perdemos, mudam… A vida é isso, essa transitoriedade. Tudo é transitório, o que era ontem pode não ser hoje. Como é que vai ser?
Nada se repete, tudo acontece uma única vez. Você pode repetir o momento de hoje, com a mesma roupa, do mesmo jeito, mas o momento é único, jamais se repetirá. Tudo na vida só acontece uma única vez, mas a gente não aprecia, a gente reclama…” – Monja Coen
Estava aqui sentindo uma saudade, daquelas doídas de sentir. Daquelas saudades que nos fazem repensar a vida, repensar as atitudes, ponderar se deveríamos mesmo ter ido por aqui ou por ali. Daquelas saudades que nos impulsionam a regressar.
Então, eu fui buscar uma distração que não fosse ouvir uma música que piorasse meu estado de espírito e deparei-me com as palavras acima, em um vídeo que resolvi ouvir… Essa pessoa iluminada que é a Monja Coen (recomendo que você a ouça), fez-me absorver essas palavras, no melhor estilo “era o que eu precisava ouvir”.
A gente sente saudades mesmo. Eu já divaguei sobre isso outra vez, falando que a saudade é sinal de um momento bem vivido. Mas puxa vida, não é que eu havia me esquecido das minhas próprias convicções?
A gente sente saudades… E talvez existam etapas de nossas vidas que devam ser isso… Saudade. Ainda que seja daquelas doídas de sentir.
Mas não é para escrever penalizada, sobre a saudade, que eu passei por aqui. Na verdade as palavras da Monja me fizeram perceber que muitas vezes perdemos tempo amargando a saudade, e deixamos de valorizar o momento. “A gente não aprecia, a gente reclama…”. E como a gente reclama! E o momento não volta. Mesmo que a gente possa reviver aquele momento bom que deixou saudade, aquele momento específico não volta.
Um dia minha mãe fez uma janta que nunca mais vou esquecer. Era uma comida simples, mas pelo contexto, teve um sabor especial. Ela ficou tão feliz com a minha gratidão por aquela refeição, que já tentou repetir o prato diversas vezes, mas nunca mais teve o mesmo sabor, embora tenha sido muito bom em todas as outras vezes. Naquele dia, jantei com gosto, apreciei o momento.
“Nada é fixo nem permanente… As coisas que nós adquirimos e perdemos, mudam… A vida é isso, essa transitoriedade. Tudo é transitório, o que era ontem pode não ser hoje”.
E a gente sente saudades. E por que não sentir essa saudade sem ferir o peito?
Por que a gente transforma o amor em dor? Por que colocamos rancor em sentimentos que de tão bons, deixaram essa saudade? Porque do contrário, se o momento passado fosse ruim, a gente sentiria raiva. Mas se sente saudades… Por que não recordar isso apreciando o momento vivido?
“Nada se repete, tudo acontece uma única vez”. Mesmo que a gente possa fazer aquilo de novo, e de novo, e de novo… Cada dia terá sido único.
Aí, então, eu me permiti sentir saudades… Revivi aqueles momentos bons, bonitos, ouvi uma voz ecoando aqui na minha mente me fazendo refletir “está vendo como a vida é boa?”. Revi o pôr-do-sol, reafirmei umas certezas dentro do peito e criei incertezas danadas.
Se cada momento é único, se tudo na vida só acontece uma única vez e se foi bom, ao ponto de dar saudades em cada letra de música, nos detalhes da vida, no perfume, por que não sentir saudades? Por que não viver essa saudade?
Porque se ficou saudades… foi bom. Do contrário a gente sentiria raiva. Mas se a gente sente saudade, por que não sentir? E saber que a vida é como disse Monja Coen, essa transitoriedade. O que foi ontem já não é mais hoje.
Mas que bom ter vivido isso. Que bom poder lembrar, e sentir saudades.

Se acabou, mas foi bom, seja grato.

Hoje em dia as pessoas somem da vida das outras sem saber de absolutamente nada. Sem ouvir o que o outro tem pra dizer, sem dizer o que, talvez, o outro precisasse ouvir. Às pessoas saem como se nunca tivessem entrado na vida do outro, muitas vão embora sem se despedir, outras se despedem com uma mensagem: ”adorei te conhecer” e só.
Tudo bem a gente sair da vida de alguém quando a gente não se sente mais confortável, mas você já parou pra pensar que conhecer alguém, por mais curto que seja o tempo que vocês ficaram, momentos acontecem, lembranças ficam marcadas, sorrisos são trocados, conversas que varam a madrugada, e sem perceber, aquela pessoa acaba plantando algo em você, acaba te deixando lições e bagagem que às vezes, você leva pra vida toda?
Por que então, mesmo que na hora da despedida, não dizer tudo o que aquela pessoa te fez sentir? Mesmo diante de um fim, ser grato a tudo o que o outro te apresentou, de bandas independentes que quase ninguém costuma ouvir às séries de zumbis, dos desabafos que você confessou aos conselhos que o outro te deixou. Agradeça pelo sentimento que a pessoa despertou em você, seja aquela paixão louca desenfreada que te fez perder o controle de si mesma, se cobrar loucamente e construir expectativas sem fim ou aquele sentimento leve que te fez flutuar sem tirar os pés do chão, que até hoje cê não tem certeza direito, se foi amor ou só diversão.
É genuíno a atitude de contar ao outro o quão ele foi importante pra você, o quanto lhe ensinou sem nem perceber. É um ato de gratidão dizer ao outro tudo o que ele conseguiu ser, e mesmo que tenha acabado aquilo que você acreditou que seria pra sempre, se foi bom, seja grato. Grato porque simplesmente aconteceu, por ter tido a liberdade de conhecer o outro e ter exposto – ainda que com um certo medo – o teu corpo e a tua vida, grato por aquela pessoa ter esbarrado em você e ter acontecido, porque algumas pessoas por aí sequer acontecem.

Dá um aperto ver as pessoas saindo umas das outras sem sequer dizer um: ”obrigado por me permitir conhecer, por ter aberto a tua vida pra que eu conhecesse um pouco”, sem trocar nenhuma ideia, sem dizer ao menos se foi bom, sabe? As pessoas simplesmente somem, visualizam e nunca mais respondem.

Sinto uma necessidade imensa de dizer ao outro o que ele significou pra mim, sabe?Pensar nisso me bate uma vontade danada de botar as coisas pra fora. Às vezes bate uma vontade louca de dizer pra aquela pessoa que ela foi importante pra caralho pra mim. Três meses, cinco, um ano, não importa. Acho que isso é o mínimo que as pessoas deveriam fazer antes de sumirem do mapa.Eu não consigo simplesmente acreditar que existem pessoas que conseguem desaparecer da vida das outras sem, em algum momento da vida, se perguntar: ”o que será que eu fui pra ela?” ou ”será que eu plantei alguma semente?”.

Texto De “Iandê Albuquerque”

Amar não é sempre insistir, às vezes amar é desistir também.

Desculpas se você acha que amar é nunca desistir e sempre insistir. Mas por acaso você já cansou de se esforçar por alguém e esse alguém não te deu o valor que você merecia? Por acaso você já se sentiu sozinho ao se entregar pra alguém e esse alguém simplesmente não se importou tanto com o que você sentia? Por acaso você já se importou demais, perdeu noites de sono, chorou uma madrugada inteira por alguém que no final das contas ria de você e nunca se importou com a tua dor? Você por acaso sabe o que é amar imensamente alguém e em troca, esse alguém te dar algo que cabe na palma da tua mão?

Cê por acaso já sentiu tanto que o teu peito parecia que iria explodir, que a tua garganta parecia que tinha dado um nó, que a tua voz naufragou, a tua barriga embrulhou e você perdeu todas as direções quando alguém que você amava te decepcionou?

Eu posso te dizer com toda certeza do mundo que amar não é insistir quando nada faz mais sentido.

Amar é saber a hora de ir embora pra não deixar as coisas ainda mais confusas. Amar é desistir antes que as coisas percam o sentido, entende?

Porque amar não é egoísmo, amar é aceitar quando as coisas tomam outro rumo, é entender que às vezes, a gente não pode evitar, resta só aceitar e seguir caminhos distintos. Amar não é achar que o final de um relacionamento é o fim do amor, não é acreditar que ali o amor morre e que tudo que foi vivido por vocês não valeu a pena.

Amor é acreditar que tudo que foi apreciado enquanto vocês estavam juntos valeu muito a pena, é entender que as experiências que vocês trocaram valerão pra vida toda. Amor é perceber, até na dureza de um fim, que todo final requer um recomeço e que às vezes a gente precisa aprender a recomeçar sozinho.

Amor não é correr atrás de alguém que sempre está se distanciando de você, amor é quando a distância faz a saudade doer e os dois correm, só que um de encontro ao outro. Amor não é ser indiferente, não é fingir que não sente, muito menos correr atrás de alguém que claramente não se importa pros seus sentimentos. Amor é sentir lá dentro e ter necessidade de escancarar pro lado de fora, e entender que o que você sente não merece ser escanteado por ninguém.

Amor não é desejar que o outro se dane, não é torcer pra que o outro se decepcione com outra pessoa. Amor não é negar o que foi vivido, amor é saber agradecer ao passado, pelos tropeços que você levou, pelos erros que você cometeu e pelas decepções que o outro te causou. Amar é conseguir enxergar o quanto imaturo você foi e se esforçar pra ser melhor que antes. Por isso amar é torcer pra que o outro alcance os seus objetivos mesmo que o outro não esteja mais ao teu lado, é desejar boa sorte e esquecer as dores do passado, é dizer pra que o outro siga em frente e jamais esquecer que você também deve seguir.

Por fim, amor não é insistir em quem não te merece. Amor é desistir de quem não vale a pena e só insistir em quem faz valer.

 

Texto De “Iandê Albuquerque”

Tudo o que custar a sua paz, sempre será caro demais

A felicidade e paz interior não são vendidas em cápsulas e não estão disponíveis nas prateleiras das farmácias. São estados emocionais que precisam ser desenvolvidos a partir do conhecimento da própria personalidade.

Salário alto, relacionamento de aparências e vaidade custam mais do que sua alma pode pagar e, passar a vida toda querendo mantê-las, faz você perder o controle da própria vida e entrar em uma frustração surreal.

Estamos sempre atrasados, nunca temos tempo para o essencial e reclamamos de (quase) tudo. A “grama” do vizinho é sempre mais verde, o relacionamento da amiga mais feliz e o trabalho do colega mais interessante.

Nessa rotina de reclamações constantes, buscamos incessantemente duas coisas na vida: a felicidade e a paz, sem entender, no entanto, que os dois sentimentos estão aliados e não tem relação nenhuma com bens materiais, aparência ou relacionamentos.

Não adianta ler todos os livros de autoajuda disponíveis ou buscar profissionais de todas as áreas de saúde para aconselhá-lo, se você não está disposto a colocar em prática o que aprende. Entenda que, sem a prática, nenhuma teoria funciona.

A felicidade e paz interior não são vendidas em cápsulas e não estão disponíveis nas prateleiras das farmácias. São estados emocionais que precisam ser desenvolvidos a partir do conhecimento da própria personalidade.
François La Rochefoucauld: “o primeiro dos bens, depois da saúde, é a paz interior.”

Conhecer-se, saber o que o impulsiona é tão importante quanto respirar. O que te move nesse mundo? Quais são seus ideais? E, o mais importante: o que tem feito para conseguir?

Querer não é suficiente para atingir os objetivos. Você precisa conhecer as causas que motivam seus sonhos e as condições que tem para realizá-los, do contrário, sempre será frustrado e infeliz.

Fernando Pessoa afirmava, em toda a sua sabedoria, que o sucesso de tudo está no agir: “Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?

Encontrar felicidade na própria vida, ser grato pelas oportunidades e reconhecer a bondade dos detalhes, faz com que a paz se acomode dentro da alma.

Paz não é algo negociável, que você pode dar como moeda de troca ou que aceite perder com normalidade. A paz interior vale mais do que qualquer dinheiro no mundo. Então, caso seus sonhos estejam norteados apenas em algo consumível, você precisa rever seus conceitos sobre felicidade. Machado de Assis dizia que “o dinheiro não traz felicidade — para quem não sabe o que fazer com ele.” E, convenhamos, ele estava certo.

Paz interior não é fácil de conquistar porque envolve disciplina, perdão e generosidade. E, sim, isso são atitudes difíceis de serem praticadas. É fácil verbalizar o perdão, quando se não foi ferido na alma. É fácil discursar sobre generosidade, quando você nunca precisou dividir seus bens. É fácil falar de disciplina se você desconhece os próprios limites.

Ninguém consegue a paz sem antes passar pelo deserto. Para saber perdoar, você precisa ser ferido. Para ser generoso, você precisa aprender a ser desprendido. E, para ter disciplina, você precisa ser advertido por quem ama. Para Einstein “a paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos.”
Nada vale a nossa paz, nem esse relacionamento que você insiste há anos. Você pode ter encontrado a pessoa dos seus sonhos, viver um relacionamento digno de Oscar e ela pode ter as qualidades mais admiráveis do universo, se não trouxer paz no coração, acredite, não é para você.

Direitos autorais da imagem de capa: pexels / 1112805

Respeite a Você Mais do que aos Outros

Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. (…) Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. (…) Pretendia apenas lhe contar o meu novo carácter, ou falta de carácter. (…) Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? Assim fiquei eu… em que pese a dura comparação… Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões – cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante. (…) Uma amiga, um dia desses, encheu-se de coragem, como ela disse, e me perguntou: você era muito diferente, não era? Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou essa calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com lassidão de mulher de cinquenta anos. (…) o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Ouça: respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você – pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse o único meio de viver.

Clarice Lispector, in ‘Carta a Tânia [irmã de Clarice] (1947)’

A Verdadeira Filosofia de Vida

Trabalhar com nobreza, esperar com sinceridade, sentir as pessoas com ternura, esta é a verdadeira filosofia.
1 – Não tenhas opiniões firmes, nem creias demasiadamente no valor das tuas opiniões.
2 – Sê tolerante, porque não tens certeza de nada.
3 – Não julgues ninguém, porque não vês os motivos, mas sim os actos.
4 – Espera o melhor e prepara-te para o pior.
5 – Não mates nem estragues, porque não sabes o que é a vida, excepto que é um mistério.
6 – Não queiras reformar nada, porque não sabes a que leis as coisas obedecem.
7 – Faz por agir como os outros e pensar diferentemente deles.

Fernando Pessoa, ‘Anotações de Fernando Pessoa (sem data)’

Os Meus Sonhos São Mais Belos que a Conversa Alheia

Não faço visitas, nem ando em sociedade alguma – nem de salas, nem de cafés. Fazê-lo seria sacrificar a minha unidade interior, entregar-me a conversas inúteis, furtar tempo senão aos meus raciocínios e aos meus projectos, pelo menos aos meus sonhos, que sempre são mais belos que a conversa alheia.
Devo-me a humanidade futura. Quanto me desperdiçar desperdiço do divino património possível dos homens de amanhã; diminuo-lhes a felicidade que lhes posso dar e diminuo-me a mim-próprio, não só aos meus olhos reais, mas aos olhos possíveis de Deus.
Isto pode não ser assim, mas sinto que é meu dever crê-lo.

Fernando Pessoa, ‘Inéditos’